estavam os três deitados na cama da mamãe assistindo desenho animado.
- corre, segundo! tá passando snoopy!
- HAHahahHAHa!
coisa rara e bonita.
pensei que nunca mais fosse ver essa cena.
estavam os três deitados na cama da mamãe assistindo desenho animado.
- corre, segundo! tá passando snoopy!
- HAHahahHAHa!
coisa rara e bonita.
pensei que nunca mais fosse ver essa cena.
um choro preso sem saber o real motivo. uma angústia leve e estranha. um conformismo, uma saudade do que não virá. é isso: vontade de contar os meus dias – que tem sido os mesmos – ouvir aquela gargalhada boa, ficar sem fazer nada juntos.
mas essa vontade desenfreada me confunde. o que antes era dormente, agora bagunça tudo.
acordei cedo, vi a chuvinha e sorri. liguei para ele para saber se daria certo o intinerário. daria.
então, saímos de nossas respectivas casas em busca de um dia feliz. e foi o mais bonito. vimos o mar, de longe, mas vimos. e estava mais azul do que nunca! era nossa cidade sendo percorrida por nossos olhos.
- olha, david’, aquilo é um baobá! tu já viu?
- não, keh…
- ali tem marca de bala e tudo!
- dá pra ver sangue? oO’
depois o cheiro do cabelo da gui (que sempre é o mesmo e é bom!) ficou guardado no meu travesseiro. me fez cafuné e eu quase dormi.
as nóias se esvaíram.
obrigada, meus amores.
assisti um filme clichê, mas lindo. juro que não chorei! a alegria foi tanta que os personagens já fazem moradia em mim. era daquelas histórias de amor que se vivem em um dia. deu vontade de viajar e me apaixonar arrebatadoramente de novo, pelo novo, pelo que vier. e mais vontade ainda de voltar a estudar francês (sou uma preguiçosa boba!).
ai, ai.. atire a primeira pedra quem nunca se sentiu uma personagem.
estávamos bastante cansadas por mais um dia de andanças por esta cidade que é tão nossa. lembro que o sono já me vinha, e ela docemente sentou ao meu lado e perguntou:
- tá me ouvindo?
- tô. – respondi mecanicamente.
e numa respiração súbita e sem tropeços me sussurrou as peripécias do príncipe, o pequeno.
desde então, minhas noites não são mais as mesmas. a voz dela ainda me soa como um ninar.
e todas as vezes que o sono aparece e ela me sussurra, minhas respostas são as das mais cheias de vida.
[x] cento de envelopes
[x] pacote de Doritos Queijo Nacho!
[ ] uma colônia lavanda johnson&johnson verde
[ ] canetas stabillo 0.3 collors
[x] um caderno de capa dura de 1 matéria
[ ] um mensageiro dos ventos
[ ] paçoquitas da marca Santa Helena (as amarelinhas)
[ ] amendoins
[x] o livro ‘Minhas Queridas’, de Clarice Lispector
[ ] o livro ‘Nunca subestime uma mulherzinha’, de Fernanda Takai
[ ] o livro ‘A hora da estrela’ (edição comemorativa), de Clarice Lispector
Vanessa da Mata
Minha Herança: uma flor
Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio
Peguei você pra mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim
Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei
Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre
A minha herança pra você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho em uma árvore ou uma pedra
Eu deixarei
A minha herança pra você
É o amor capaz de fazê-lo tranqüilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si
E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu
(2x)
Achei você no meu jardim
_
essa parte grafada de vermelho é a parte que mais se parece com a nossa amizade.
e essa música dei e hoje sou presenteada com a mesma e mesmo amor.
não, não é bobagem essa história de a gente se encontrar e se confudir nos outros.
é forte, não é brincadeira.